sexta-feira, 29 de maio de 2009

Que gosto, que alegria senti ao espreitar por entre as grades desta janela de ferros harmoniosamente retorcidos. Sinto uma sensação estranha de que toda a cidade está do lado de lá, e só eu deste lado. Que maravilhosa prisão que tais grades ostenta. Como é bela a liberdade.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Os beirais das velhas Igrejas como os beirais das velhas casas caiadas ou pintadas, entrecruzam-se , olham-se de frente , vergam-se por vezes ao peso dos anos. Mas continuam lá. Escutam o murmúrio de quem passa, de quem reza, suplica, chora ou sofre; e o beiral continua a proteger da chuva as paredes encharcadas ou ressequidas, e as andorinhas continuam a nescer por debaixo deles, indiferentes, porque elas não ouvem as preces .

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Não são unicamente pedras, luz ou sombras. São muitos espaços num só espaço, são harmonia, são beleza. São a parte de cima e a parte de fora das coisas, quantas vezes ignoradas, quantas vezes escondidas atrás de muros mais ou menos clandestinos ou construções obscenas, privando-nos de lhe podermos tocar ou simplesmente olhar. A parte de dentro, essa parte mais intima, aí não podem ser construídos muros e podemos olhar , podemos tocar, e podemos sentir.

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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Continuam a ser quentes as cores da noite das ruas de Évora. Sem querer, criamos quadros, não inventamos. Por ela abaixo, vem o aqueduto, tímido, escondido por detrás de muros caiados de branco, já não traz água, brota luz , gera sentimentos, alguns contraditórios!.

Andamos numa "roda viva"! ou "morta"?. Por vezes temos algum tempo de olhar os amigos nos olhos, falarmos, dizer coisas ou, simplesmente,não dizermos nada. Olhamos muitas vezes para baixo e, a maior parte das vezes, para o lado.
Devíamos olhar um pouco para cima, basta levantar o olhar e temos surpresas agradáveis, pelo menos para mim, para quem não é apenas a luz do sol que gera sombras.

domingo, 10 de maio de 2009


São ruas estreitas, longas,
e algumas bastante escuras.
Como é bela a noite.
Quantos poetas por aqui passaram!
Quantas promessas de amor estão ainda gravadas nestas pedras?
Nunca viremos a saber porque elas prometeram guardar segredo!
E as pedras cumprem!
O tempo, esse, encarrega-se de os desvendar .
Ainda hoje, ao subirmos
ou descemos estas ruas, temos a sensação de estarmos a ser observados por essas mesmas pedras, pisadas e polidas por gente simples ou mais importante da urbe, saindo de lugares públicos ou não, andando descontraídos ou escondidos nas vielas.
Não vá a noite saber
Por onde andamos.
E a noite não guarda segredos
Como as pedras.
Aqui nevou a 29 de Janeiro de 2006. este era o aspecto da esplanada do jardim. Vazia, mas cheia de vida. Um dia inesquecível para quem tem que subir muito mais alto para ver a neve.

sábado, 9 de maio de 2009

Há alta cozinha, grandes mestres, grandes pratos, enormes talentos por esse mundo fora, e até cá dentro. Mas uma açorda é uma açorda. Não são precisos nem grandes mestres nem grandes talentos. São coisas simples, como simples mas sábio é o povo que a criou. Este povo que quase sem meios, inventa, adapta, vive! sobrevive!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

É de pedra, quase esculpida, como de pedra é quase toda a Évora, com cal branca, pintada nos intervalos. E as portas, e as janelas, e as escadas de caracol como estas, sempre abertas, mais ou menos profundas, olhando para nós como que a dizer: - estou aqui há séculos e tenho servido para muito pouco. Por estas vamos aos sinos da torre da Igreja de Sto. Antão .

domingo, 3 de maio de 2009

Quando as gotas escorrem pela vidraça, inventam um outro templo! outros templos, muitos. Tantos quantas as gotas ou a nossa imaginação. Mesmo que as gotas desapareçam, ele fica lá. E nós vamos inventando outras formas, daquela forma.